Meu pai curtia goleiros. Com uns 4 anos, eu já conhecia as histórias de Eurico Lara, Germinaro, Yashin, Gordon Banks, Hugo Gatti e outros caras. Aliás, meu pai sonhava em ter um filho goleiro. Tanto que, quando a gente jogava bola, ele chutava e eu defendia - coisa rara no bate-bola entre pais e filhos.
Dentre todos, o seu Tito tinha uma admiração especial pelos goleiros argentinos, depois pelos uruguaios. Ele sempre repetia a história:
"Quando cruzam uma bola na área, o goleiro brasileiro grita: é tua! O goleiro argentino grita: é minha!".
Tá certo que alguns goleiros brasileiros ainda saem mal do gol, mas a nossa escola é bastante respeitada hoje em dia. Tanto que contratar um goleiro gringo pra jogar aqui passou a ser uma aventura.
Só pra reforçar minha teoria, Santos (Tapia e aquele gordinho cabeludo do Once Caldas), Corinthians (Johnny Herrera), o próprio Grêmio (Tavareli?), o Inter com o Goycochea e outros que a gente convenientemente esquece são um exemplo disso.
Neste ano, quando o Grêmio tentou o Carini e depois o Chiquito, levei medo. Pra mim, Walter Corbo e Tavareli foram experiências suficientemente lamentáveis. A vinda do Saja não tinha me animado, até que eu olhei algumas jogadas dele no You Tube. Vi ele aplicar um sombreito num atacante e marcar um gol de pênalti no Boca. Naquele dia, vim trabalhar confiando que o sujeito tinha, no mínimo, carisma.
Daí o cara entrou no time e a coisa funcionou de verdade. Boa saída de gol, boa reposição de bola, segurança, tranqüilidade e uma técnica apuradíssima: o cara só espalma bola alta de mão trocada, que é o mais correto e o mais bonito que se pode fazer jogando no gol.
Pra completar, já pegou um pênalti.
Tenho certeza que hoje o meu pai está em algum lugar do céu, rádio de pilha sintonizado no AM, com um sorrisão no rosto.
Ele sempre soube que o Grêmio precisava de um goleiro argentino.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
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Um comentário:
Meu pai também estaria feliz. E o avô do Theo e do Pedro, mais ainda. Dá-lhe, Saja! No pasa nada!
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