domingo, 4 de março de 2007

A camisa 7

Quando eu comecei a acompanhar o futebol, a 7 era do ponta-direito: Tarciso, o flecha negra, no caso. O Tarciso começou 9, centroavante, e virou ponta por inspiração do grande Telê Santana para aproveitar sua velocidade espetacular e, também, para tirá-lo de perto do cotovelo criminoso do Figueroa. Ele vestia a 7 quando ganhamos o Brasileirão 81.

Depois dele veio o Renato, simplesmente o homem que ganhou o Mundial de 83. O mesmo cara que, antes disso, lá no canto direito do nosso ataque, inventou um cruzamento de gênio para o César, como centroavante que era, mergulhar de cabeça sem medo de bater no poste e nos tornar campeões da Libertadores pela primeira vez.

Falo aqui dos primeiros ponteiros-direitos que eu vi jogar. Mas se a gente quiser ainda mais respeito pela posição, a 7 é eternamente do Garrincha.

O futuro um dia chegou e os ponteiros sumiram, mas a camisa 7 ainda era usada por um atacante, pelo menos na maioria dos times.

Paulo Nunes, o diabo loiro, usou a camisa 7 para nos ajudar a conquistar a Libertadores 95, o Brasileirão 96 e a Copa do Brasil em 97 e os Gauchões de 95 e 96.

De repente, o 7 virou número de volante. Atualmente, a 7 no Grêmio é do Diego Souza que, dos antigos 7, pelo menos tem o cacoete de correr pela lateral e cruzar com a bola rolando.

Já no São José, o camisa 7 na partida de ontem era o Pansera. Lembra dele?

A cada bordoada que ele distribuía no Olímpico ontem, Garricha suspirava no céu e pedia mais um martelinho.

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