sábado, 15 de setembro de 2007

Parabéns, Grêmio! E muito obrigado.

Graças aos meus pais, já nasci tricolor no distante ano de 1971.

Minha família, com raros casos de falha de caráter, é de gremistas. Meus avós, meus tios, meus primos Jung e Ferreti (entre os Tajes existem alguns colorados - notadamente os filhos e netos do segundo casamento do velho Zeca, pai do velho Tito, meu pai - mas eles viraram Coimbra).

Me lembro de ir ao Olímpico bem pequeno, ver uns treinos com o meu pai. Um dia o seu Tito me levou pra falar com o goleiro que era meu ídolo e que parecia um gigante, o Cejas (um argentino que jogou no Santos também).

Não me lembro da conversa, mas lembro que o cara me disse que ele tinha tomado muita sopa de capeletti pra ficar daquele tamanho.

Fiquei apavorado. Naquele época, eu detestava sopa de capeletti. Mas não duvido que eu goste hoje em dia e tenha 1,82 por ter me esforçado pra gostar da tal sopa.

Em 77, quando o André Catimba acabou com a marra dos octários, eu tava no Olímpico. E queria invadir o campo, mas o pai me fez desistir da idéia.

Em 81 eu fui a muitos jogos do Brasileirão. Assisti ao jogo com maior público da história do Olímpico em pé, quando perdemos o segundo jogo da semifinal pra Ponte Preta. Isso foi num domingo e, na outra quarta, já estava lá de novo para o primeiro jogo da final, na virada espetacular contra o Bambi.

Perdi junto a final de 82. E sofri feito um cão com aquele gol do Nunes e a roubada que levamos.

Em 83, o tricolor me compensou pela perda. Fui a quase todos os jogos da Libertadores, menos um do triangular semifinal, que foi adiado e acabou realizado em horário de aula.

Em 84 foi ruim. Em 85 ganhamos o Gauchão. EM 86 peguei pneumonia na final do Gauchão, mas ganhamos. E vieram as Copas do Brasil, o bi da Libertadores, do Brasileirão, o tetra da Copa do Brasil.

Nesse meio tempo, rolaram grandes tristezas, como os rebaixamentos. E grandes alegrias com os retornos. Houve épocas em que namoradas embaçavam pra eu ir ao estádio.

E veio o Pedro.

Depois que me separei, ele ficava comigo todas as quartas-feiras e em finais de semana alternados. Era um tempo de futebol no rádio, com sorte, na TV.

Mas ele cresceu um pouco e comecei a ir aos jogos de novo. De repente, o carinha foi morar em São Paulo, eu me associei ao Grêmio (antes pagava ingresso a cada jogo) depois da gente levar 4 x 0 do São Paulo - iniciativa do Beto Schmidt.

Em 36 anos de gremista, acho que nunca vaiei o tricolor. E sempre encontro uma desculpa pra todas as besteiras que os caras fazem. Tipo uma Márcia de Windsor, a jurada nota 10 do Programa Flávio Cavalcanti.

Num dia como hoje, lembro de todas as alegrias que tive como gremista. E só posso agradecer a todo mundo que me ajudou a fazer essa escolha.

Parabéns, tricolor.

Amanhã a gente vai fazer a festa.

Lembranças de uma família tricolor: Charles (colorado), Claudia, Theo, Pedro e eu no Anacleto Campanella. Era aniversário do Theo, fez um frio da porra, eu tive uma enxaqueca medonha mas a gente ganhou do São Caetano e tirou uma touca de anos.

3 comentários:

Claudia Tajes disse...

Família gremista não se entrega nunca. Valeu por me ensinarem isso sempre.

Claudio de Canoas disse...

Eu tenho uma foto do Beira Rio da minha familia igualsinha a de voces mas e estranho que voces parecem igual aos Simios rsrsrsrs ;-)

Claudio de Canoas disse...

...IGUAL A NOS , QUIS DIZER , POR FAVOR ;-) muito legal ;-)