quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Grêmio empatou, mas eu ganhei a noite


Jogo às 22h pede uma parada no Miau da Cabral pra matar a ansiedade tomando uma(s) Zilertal litro e devorando uns gatitos.

Eram 20h, e eu nunca ia imaginar a aula de futebol que estava prestes a receber.

Corta pro Olímpico.

Times em campo, juiz apita e eu ainda to perambulando pelas cadeiras. Um olho no campo e outro num lugar vago.

To acompanhado do Chuck (vocês podem ver a latinha dele na foto) e do Eugênio, sentamos na segunda fileira.

Coloco o fone no ouvido, fixo o olhar no gramado e, uns 30 segundos depois, recebo um cotovelaço do Chuck (digno do zagueiro que ele é) na altura da sexta costela. É o jeito carinhoso dele chamar a atenção pra quem estava do nosso lado, umas 4 cadeiras de distância: Ithon Fritzen. O pai de um dos nossos melhores amigos, o Márcio - mas pode chamar de Choque.

Eu demorei a reconhecer o "velho" Ithon. E coloco entre aspas, porque de velho ele não tem nada. Corre trocentos km por dia e tá muito, mas muito mais fino do que eu.

Alegria geral. Até esqueci o jogo - e olha que o Grêmio começou massacrando. No meio de tudo, 1x0 imortal. Porra, comemorar um gol, no Olímpico, abraçando o velho Ithon, não tem preço. O cara simplesmente fez o Renatão correr... e no TREINO? Dá pra entender o que é isso?

Continuando, o jogo encrespa e aos poucos, meio tímido e com a voz baixa, as pérolas vão saindo. Coisas que só quem vive do futebol a tanto tempo consegue enxergar.

"Sorte que o Flamengo tá jogando pelo meio. Porque se jogar pelas pontas, principalmente contra esse nosso 6 aí, não vai ser bom não".

E não é que o FDP do Léo Moura entorta o contestadíssimo FSantos e coloca a bola na medida pro empate? É... quem mandou não escutar o velho...

Depois do baque, voltamos pro jogo e a aula recomeça. Tem que fazer isso, forçar aquilo, botar mais a bola no chão... E não pensa não que isso tudo era frequente. Era aos poucos, criterioso, observando e analisando o jogo sem soltar muito o verbo.

Eu ainda falava umas merdas, xingava uns cornetas, e ele ali, com um meio sorriso de quem já se acostumou com a passionalidade dos torcedores. Ou como quem já conhece o nosso torcedor.

Jonas perde um gol: "não dá pra perder chance assim. Futebol é um esporte dificil. Tem que matar o jogo sempre." Pois é...

No final, o maldito gol aos 41. Eu, prostrado, só escuto um "Essa jogada em linha matou a gente. Se tivesse um zagueiro 2 metros atrás da linha da bola não tinha isso aí não".

Escuto a entrevista do Renatão na saída do jogo e ouço a mesma coisa do nosso técnico. BINGO. Sintonia pura. Não é a toa que ambos são os nossos campeões do Mundo.

O negócio é voltar pra casa com aquele empate com gostinho de derrota. E tentar guardar cada frase na memória, pra nunca mais esquecer.

2 comentários:

Snel disse...

O "velho" Ithon é um SÁBIO mesmo. Ainda não tive essa oportunidade de conversar com ele, mas toda a vez que leio, ouço ou vejo ele falando por aí, é incrível o conhecimento dele.

Próximo jogo, sentarei aí contigo e perto do véio Ithon.

TiagoR disse...

Amém!