quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Cabeça de Porco

Faz anos que eu não escrevo pro Grêmio Libertador. Literalmente.
Acho que meio que me desliguei por conta de tudo que vem acontecendo com o Grêmio nos últimos anos. Antes que me joguem pedras eu já aviso que sou/era sócio desde fevereiro de 83 (usei um "era" ali pq eu não pago mais mensalidades desde 2009, mas talvez eu volte pras cadeiras um dia).
A política entrou em campo e acabou o nosso melhor jogo. Essas facções que tomaram conta não me servem, e não servem a mais ninguém a não ser elas mesmas. Isso me tirou o interesse quase total do Imortal.

Mas estou aqui pra contar pra vocês uma história que escuto desde pequeno.
A minha família por parte de mãe é de São Sebastião do Caí, uma cidadezinha que fica entre Portão e Caxias. Meu avô, João Flores, foi um dos fundadores do Grêmio Esportivo Riachuelo, em 1946. Foi um dos primeiros times de futebol do Rio Grande do Sul. Se não me engano um dos 10 primeiros. Era um time de funcionários da Oderich, fábrica que meu avó trabalhava. A família não era muito abastada, não faltava nada, mas também não sobrava. A  minha mãe sempre me conta que quando o time precisava de uniforme novo, ou dinheiro para algum jogo fora da cidade, meu avó sempre dava um jeito. A forma mais comum era uma rifa bem incomum. Como trabalhava na Oderich, e lá se abatiam vários porcos, ele pegava o que sobrava e fazia a especialidade da casa: Cabeça de Porco Recheada. E vendia todos os números da rifa. Se minha mãe conta a história é pq ela e seus irmãos deveriam ficar morrendo de vontade de comer a especialidade do Seu Joãozinho Bengala, como era conhecido meu avô nos meios futebolísticos.
Eu fico imaginando um cara que saía do trabalho, cuidava dos filhos (era viúvo) fazia a rifa, vendia números, preparava uma Cabeça de Porco recheada e sorteava para angariar fundos pro clube do coração. Imagina se o coração do Seu Joãzinho Bengala não ficava partido em dar a sua melhor iguaria para um terceiro e deixar os filhos só na vontade? Devia dividir o coração dele.

Eu acho que esse tipo de gente que falta no Grêmio. O que está acontecendo agora é que todo mundo quer tirar vantagem e não dar contribuição. Seja vantagem financeira, eleitoreira, seja pra satisfazer o seu ego escroto. Falta quem realmente ame o clube.
Esse papo de clube empresa pode funcionar pros outros, mas não pra mim. Eu não amo nenhuma empresa, vocês amam?
E, sinceramente, se for pra extinguir esses urubus que assolam a Azenha, eu tô torcendo pra jogar a segunda divisão. Não por um ano e já voltar. Por uns três anos, no mínimo.  Quem sabe assim esses politiqueiros abandonem o que sobrou do Grêmio que eu aprendi a amar e deixem o clube voltar a ser uma paixão dos seus torcedores?

Prefiro torcer por um time digno e honrado na segunda divisão do que estar na primeira divisão com um bando de vampiros grudados no pescoço.

Mas isso é só o que eu penso.


Beto Schmidt é gremista desde sempre, tem uma foto com o Renato (quando tinha uns 10 anos - o Beto, não o Santo), foi sócio do Grêmio por 26 anos e é pai do Juliano. Atualmente, desiludido com o nosso tricolor, mora em São Paulo e curte mais o St. Pauli, um time bem digno da 2ª Divisão Alemã. 
Siga o Betão: @betoschmidt

5 comentários:

@tiagorussell disse...

Visceral!

Edelmo disse...

Bahhh sem palavras... é bem esse o sentimento que todos os gremistas de verdade temos nesse momento!

Conde disse...

Ontem, com a cabeço no travesseiro tentando dormir pensei: " Porra, talvez se cairmos toda essa gentalha abandone o barco.. seria uma ótima oportunidade de separar quem gosta do grêmio e de quem gosta de politicagem..." Sinceramente consigo enxergar uma vantagem se cairmos...To errado??

Robert Welter disse...

Ontem, no intervalo do jogo do time do aterro o Damião deu uma entrevista e falou assim: "Se for preciso perder o ar, perder o coração, para ajudar meu clube ser campeão, eu vou fazer isso".

O cara poderia estar jogando na Europa, mas está aqui. É um dos melhores cetravante do futebol Brasileiro e mesmo assim é HUMILDE! Pensa no clube q está jogando, da o sangue pelo clube.
Completamente diferente dos nossos jogadores. Com exceção do F. Rockemback e Adilson quais são os jogadores q jogam com vontade???
O problema para os títulos é a direção, mas o problema do time no momento são os jogadores...

Eu não consigo mais assistir um jogo por completo do Grêmio...

Fernando disse...

Está certo... mas se nosso time estivesse ganhando títulos (como estão ganhando os moranguinhos) ninguém iria estar reclamando. Nesta hora difícil, todo mundo tenta achar culpado... e é fácil colocar a culpa no colo daqueles que estão na cabeça.
Também sou contra a politicagem no futebol, mas não sou contra o profissionalismo. No futebol de hoje, o amadorismo não vai ganhar títulos. Esquece!
Tem que ter os dois! Amor e Profissionalismo. Eu acredito nisso.
E parem de falar de 2ª divisão!
Que m...!