Antes de escrever qualquer coisa sobre o jogo de ontem, vale a pena lembrar (e comemorar) os 25 anos do nosso primeiro título da Libertadores da América, na noite muito fria de 28 de julho de 1983. Em 12 anos de vida, eu não tinha visto nada parecido. E nem gritado tanto.
E a comemoração não podia ser mais perfeita: ou será que tem jeito melhor de comemorar o aniversário do título da Libertadores do que liderando o Brasileirão?
Em 76, fui a um GREnal no Aterro que a gente perdeu de 2 x 0, choveu pra burro, faltou luz e a gente saiu com água na canela do Chiqueiro.
Não sei se era a final, mas a gente perdeu o campeonato naquele ano. E teve o Brasileirão que eles ganharam também - não sei se antes ou depois.
Daí, em 77, eu continuei meio voando sobre cameonato, pontos, octogonais, qadrangulares e coisa e tal (aliás, a complexidade daqueles Gauchões de antigamente continuam me intrigando até hoje!). Mas chegou um domingo em que o meu coroa me levou pro Olímpico.
Era um domingo de GREnal.
Eu nem lembro do caminho de ida para o Olímpico. O pai tinha duas cadeiras, era muito barbada. Não lembro de ter esperado muito, ou ficar olhando o estádio cheio não me deixou ver o tempo passar.
Eu só lembro de duas coisas.
A primeira, óbvio, é a cambalhota do André Catimba. O gol eu não vi direito porque o tio na minha frente levantou, mas a cambalhota eu vi direitinho. O barulho da torcida, a corrida e o pulo do André Catimba foram uma experiência muito louca. Talvez, a mais louca dos meus seis anos.
E a invasão do campo. Era muita gente. Muita gente mesmo. Eu fiquei olhando aquilo e queria ir pra lá. Mas o pai não achou boa idéia.
Naquele dia, há 30 anos, acabou a palhaçada dos vermelhos de uma vez por todas.
No dia eu não entendi direito.
Hoje eu tenho certeza.
Dá-lhe, Grêmio!
Tem bastante coisa sobre o jogo na ZH de hoje e no zerohora.com
GRÊMIO
Corbo, Eurico, Cassiá, Oberdan, Ladinho, Vitor Hugo, Tadeu, Iúra (Vilson), Tarciso, André (Alcindo) e Éder.
Meu coroa, o seu Tito, foi a esse jogo, viu esse gol e sempre falava dele. Eu não fui a esse GREnal, mas fui ao do título.
Na falta de uma testemunha ocular dos fatos, copiei na tradicional cara-dura o texto do nosso site oficial.
Lá vai ele:
Grêmio comemora 30 anos do gol dos 14 segundos: Iúra marcou o gol mais rápidos em Gre-Nal.
Os torcedores ainda se acomodavam nas lotadas arquibancadas do estádio Olímpico quando Iúra invadiu a área e deslocou o goleiro Manga para fazer Grêmio 1 a 0. Mais do que dar início a vitória de 2 a 1 no clássico Gre-Nal do dia 14 de agosto de 1977, completando exatos 30 anos nesta terça-feira, Iúra entrava para a história do clássico ao anotar o gol mais rápido em Gre-Nal. A equipe de Telê Santana deu início ao jogo e, em apenas 14 segundos, sem deixar o Internacional tocar na bola, de pé em pé, chegou à meta adversária. Uma data inesquecível.
A reportagem da Grêmio.Net conversou com Iúra sobre aquele momento:
Grêmio.Net: Iúra, o que você mais lembra daquele gol?
Iúra: O que eu mais me lembro é que foi um gol que serviu pra eu tirar um peso das costas. Sempre fui muito respeitado tanto pela torcida do Inter quanto pela torcida do Gremio graças as minhas atuações convincentes. Ainda assim, elas não revertiam em títulos. Quando fiz aquele gol, senti, naquele momento, que o título era nosso. Tanto que saí fora do meu normal. Corri pra torcida e sentindo a energia daquela massa. Foi uma coisa espetacular. Inesquecível! Grêmio.Net: Você lembra como foi a jogada do gol?
Iúra: Era uma jogada ensaiada pelo Telê Santana. Mas o interessante é que ela não terminava comigo e sim com o Tarciso na direita. Na hora da saída de bola, senti que o Tarciso não tinha corrido. Aproveitei minha velocidade e fui concluir o cruzamento do Eder. Só tive trabalho de colocar para as redes. Tenho que agradecer à ajuda divina e ao Telê que me deixou na história.
Grêmio.Net: E como você curte essa repercussão durante estes 30 anos? Até hoje as pessoas relembram esse gol. Iúra: Onde quer que eu vá, seja convidado para participar dos veteranos do Grêmio, ou para proferir uma palestra, ou até mesmo num bate-papo sobre futebol, o gol dos 14 segundos sempre é lembrado, seja pelos torcedores do Grêmio como pelos colorados. Esse gol ficou registrado em fotos e nas rádios, mas acho que o Grêmio não tem em vídeo. Uma pena. Ele deveria estar registrado em todas as fittas que mostram as imagens da história do Clube.
Confira a ficha técnica deste Gre-Nal histórico:
Campeonato Gaúcho 14 de agosto de 1977 Estádio Olímpico
GRÊMIO 2: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho; Vitor Hugo, Tadeu Ricci e Iúra (Zequinha); Tarciso, André (Alcindo) e Éder. Técnico: Telê Santana
INTER 1: Manga; Hermínio, Beliatto, Gardel e Vacaria; Caçapava (Escurinho), Falcão e Batista; Valdomiro, Luizinho e Lula (Dario) Técnico: Sérgio Moacir
Gols: Iúra (14 segundos), Tarciso (3 do 2º tempo) e Hermínio (37 do 2º tempo)
Arbitragem: Agomar Martins auxiliado por Hermínio Goulart e Justimiano Goulart