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quarta-feira, 18 de maio de 2011

O problema é com a cor vermelha

Começo esse texto com um lugar comum, mas absolutamente verdadeiro: não suporto racismo. A ideia de que determinados seres humanos se considerem superiores a outros é abominável, ainda mais quando o que se leva em conta é a raça/cor.

Outra coisa que me causa repulsa é o oportunismo. Ainda que seja muito menos nocivo, ele se baseia na ação de pessoas de espírito pequeno, que se utilizam de interpretações duvidosas, generalizações e até de inverdades para obter vantagem sobre outros.

A essa altura do campeonato, é claro que vocês já sabem que estou falando da acusação do jogador Zé Roberto, encampada por um dirigente do Internacional em ofício junto à Federação Gaúcha de Futebol.

A história é velha: não é a primeira vez que os cânticos da torcida do Grêmio são associados à prática de racismo (mesmo que, a cada quarta e domingo, inúmeros jogadores negros pisem o gramado do Olímpico sem receberem insultos racistas).

O curioso é que, quando jogava pelo Botafogo, Zé Roberto veio ao Olímpico em 2006, esteve frente a frente com a torcida do Grêmio e não relatou ter recebido qualquer ofensa racista. Como eu não acredito que a pele de Zé Roberto tenha passado pelo processo inverso ao que atingiu o rei do pop Michael Jackson, cabe perguntar: o que mudou desde então?

Só a cor da camisa que ele vestia.

Vamos raciocinar um pouco. O mesmo jogador, em dois jogos diferentes. Em um, vestindo a camisa do Botafogo, não ouve a palavra “macaco”. Em outro, com a camisa do Internacional, surge a palavra “macaco”. Jogadores de pele negra, das mais diversas equipes adversárias, não recebem tratamento diferenciado no Olímpico. Jogadores brancos, vestindo a camisa do Inter, são chamados de “macacos”. Que espécie de racismo explica isso?

Nem seria necessário, mas vou lembrar que jogadores negros são perfeitamente aceitos no Grêmio, e muitos se tornam ídolos adorados pela torcida. Zé Roberto e seu dirigente paladino nem precisam ir longe: podem perguntar para Paulo César Tinga se, em seus anos e anos de Grêmio, foi alguma vez discriminado por sua cor.

E uma vez que a defesa da igualdade passou a ser bandeira dos colorados, aproveito a coincidência de a denúncia ter surgido no dia 17 de maio, Dia Internacional de Combate à Homofobia, e pretendo ampliar o debate.

O Grêmio, em sua história recente, teve no elenco uma dupla de zaga que, dizem, se entendia melhor fora do campo do que dentro. A história da famigerada “poltrona 36” é de conhecimento público e, só por isso, não será detalhada neste momento.

Acontece que, para a torcida e para a diretoria do Internacional, tal fato merece grande importância, como uma forma de colocar seu clube constantemente em um nível superior ao Grêmio. A citação recorrente da antiga torcida organizada gremista Coligay é motivo de chacota junto à comunidade colorada, como se torcedores homossexuais não tivessem direito a apoiar seu time do coração. Afinal, o respeito às diferenças faz ou não faz parte dos valores tão fortemente defendidos pelo Inter?

Domingo de Dia das Mães. No intervalo do Grenal vencido pelo Grêmio no Beira-Rio, a torcida colorada saúda em peso o técnico gremista Renato Portaluppi aos gritos de “viado”. Embora a fama de Renato entre o público feminino seja notória (acredito, inclusive, que muitas familiares daqueles que urravam pudessem testemunhar, com detalhes, em favor do gremista), o que chama a atenção no episódio é novamente a intolerância daqueles que se posicionam como vítimas de preconceito.

E não para por aí: a segregação por uma suposta opção/orientação sexual parece ser prática oficial no Beira-Rio. A apresentação de um novo ônibus do Inter ganhou destaque porque, segundo seus diretores fizeram questão de aladear em meio a gargalhadas, “aqui não temos a poltrona 36, a numeração pula do 35 para o 37”. Devo entender que jogadores que não sejam héteros não são aceitos no clube?

Acho que me fiz claro. E o melhor: sem precisar atribuir aos colorados, em sua totalidade, a pecha de “simpatizantes do nazismo” ou coisas do gênero, até porque não sou inconsequente.

Com a palavra, os verdadeiros disseminadores do ódio.


ADENDO: por mim, os cânticos com a palavra "macaco" nem seriam ouvidos no Olímpico, pois acredito que falar do Inter é dar uma importância que este clube não merece. Mas não sou eu quem decide isso. Se resolverem banir tais músicas, eu (que nem as canto) ficarei feliz. Só não quero servir de bode expiatório para gente desqualificada.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Zé Roberto e o blablabla de sempre


Fica difícil entender os jogadores do cocoirmão.

Basta ver o mascote da torcida, a fantasia dos seus próprios torcedores, o macaco é hoje mais forte que o próprio Saci.

E não sou eu que to falando. É só olhar pra constatar.

Por isso, caro Zé Roberto, deixa de ser convencido. MACACO não é uma ofensa à tua pessoa. É culturalmente e já há muito tempo um símbolo do time com quem tu assinou contrato. Todos os jogadores e torcedores são macacos.

E os exemplos estão por todos os lados. Tem bicho de tudo que é jeito. Quer ser chamado de porco? Vai pro Palmeiras. De urubu? Tem o Flamengo!

Na boa, cansou esse discursinho gremista blablabla racista blablabla. Toda regra tem exceção, e eu duvido MUITO que não existam racistas em TODAS as torcidas brasileiras. Isso acontece em todas as classes sociais brasileiras. Acredito que qualquer ofensa é digna de punição, até com o viés de educar um povo cada vez mais selvagem. Mas como punir alguém quando o próprio clube, em seu site oficial, ostenta a figura do animal citado? E por que generalizar? Eu, por acaso, sou raqcista só por ser gremista? Francamente, VÃO TOMAR NO CÚ.

Não gostou, troca de time. Ou pede pro próprio "Internacional" trocar o mascote.



*NOTA: Ninguém aqui no Grêmio Libertador é a favor do racismo, da homofobia ou do preconceito econômico, social ou religioso. Isso é coisa de gente que não se desenvolveu.

terça-feira, 16 de março de 2010

Liga dos Canelas Pretas: ou, "O fim da lenda do clube racista"


Foto publicada hoje no ClicRBS mostra o novo mascote colorado.

Recebi um e-mail de um grande amigo, o gremista Gustavo Lutz.

Ali ele reproduzia um relato importante publicado numa comunidade gremista existente no Orkut (infelizmente, desconheço o autor original do texto).

Pra não injustiçar ninguém, vou publicar aqui trechos do conteúdo, levemente editado pra linguagem do blog.

Infelizmente, esse texto não é capaz de provar que uma torcida é racista ou não. Porque, infelizmente de novo, o racismo é uma praga que discrimina uma minoria, e que muitas vezes acontece até mesmo entre este própria minoria.

Mas ele é capaz de mostrar que um clube, com mais de 100 anos de história, não é nem nunca foi racista.

Ao contrário de muitos outros clubes ditos populares que existem por aí.


Com vocês, o texto: **Por que os colorados nos chamam de racistas?**

Porque chamamos eles de macacos. Porém, O QUE NINGUÉM DIVULGA, é a ORIGEM desse APELIDO, ocorrido décadas atrás.

O ponto onde os gremistas passaram a chamar colorados de macacos foi na reforma do Beira-Lago, onde eles tiveram que assistir os jogos do lado de fora do estádio, subindo nas árvores.

Além de já serem "ironizados" de macacos devido às várias cópias que sempre faziam de gremistas, os colorados subiam em árvores também. FOI AÍ QUE OS GREMISTAS COMEÇARAM A CHAMAR OS COLORADOS DE MACACOS. E O APELIDO PEGOU.

Vale lembrar que, com o passar dos anos, os próprios torcedores do cocoirmão assumiram a identidade símea. Enquanto os gremistas cantavam "ah eu sou gaúcho!" os coloridos cantavam "ah eu sou macaco!". O mascote da torcida organizada deles era, e ainda é, um Macaco. Há pouco tempo atrás, o próprio departamento de Marketing colorido realizou uma pesquisa para que seus torcedores pudessem escolher o "macaco símbolo", um personagem/gimmik representativo da torcida.

Hoje, nas arquibancadas do chiqueiro, podemos ler trapos como "PLANETA DOS MACACOS", e da Torcida Organizada "Ma.Ca.Co" (Massa Cachaceira Colorada).

O engraçado é que, sempre que alguém responde isso, um macaco pergunta, com voz fanha e enfadonha: então por que o Grêmio só foi aceitar negros no time, oficialmente, nos anos 50?

Infelizmente, na época, o campo do Grêmio era doado por alemães. Estas pessoas obrigaram a aceitação de uma cláusula no estatuto do clube que dizia que, se o Grêmio contratasse jogadores negros, perderia o campo.

Mesmo assim, há fotos de negros no time do Grêmio desde 1925 - e consequentemente nos anos 20, 30 e 40.

DETALHE: o Internacional só contrataria o primeiro negro em 1928.

FATO CURIOSO: o SPORT CLUBE 2006 nunca teve NENHUM grande ídolo negro devidamente homenageado, ou talvez com a mesma admiração, como os gremistas fizeram.

Vale lembrar que O GRANDE CRAQUE EVERALDO está imortalizado na bandeira oficial tricolor, simbolizado através de uma única estrela dourada.

O "mestiço" EURICO LARA foi imortalizado no hino do Grêmio. E o próprio hino do Grêmio foi criado por LUPICÍNIO RODRIGUES. Pasmem vocês, amigos símeos, um negro.

Agora vem o MAIS IMPORTANTE, que dá o título deste post: A LIGA DOS CANELAS PRETAS.

No início do futebol profissional no Rio Grande do Sul, negros não jogavam em nenhum time. Então alguns mulatos e negros resolveram montar um, o Rio-Grandense: elegeram nome, uniforme, estatuto, tudo o que os organizadores exigiam para a criação de um time de futebol na época. O sonho daqueles negros, mestiços e mulatos era jogar futebol profissionalmente.

Após anos de organização, no dia em que o Rio-Grandense foi se inscrever na Liga, receberam UM NÃO.

Um dos times que compunha a liga na época VETOU a inscrição do Rio-Grandense.

ADIVINHEM, AMIGOS SÍMEOS, QUEM FOI ESTE TIME? Sim, foi o time do vocês. O clube Internacional menos internacional de Porto Alegre, que se autodenomina o "clube do povo", votou contra, impedindo que o Rio-Grandense INTEGRASSE A LIGA OFICIAL.

O que, então, essas pessoas fizeram? Além de passarem a torcer pro time rival do Internacional, e ensinarem seus filhos a torcerem pro Tricolor, esses negros e mulatos formaram uma Liga própria, a LIGA DOS CANELAS PRETAS.

SE VOCÊ NÃO ACREDITA NESSA HISTÓRIA, NÃO PRECISA MAIS LER O MEU TEXTO. LEIA O LIVRO CUJAS PÁGINAS ANEXEI ABAIXO. O livro que conta a história de um dos maiores compositores que o Rio Grande do Sul já conheceu, independente da cor da sua pele: Lupicínio Rodrigues.

Lupicínio Rodrigues era filho de um dos fundadores do Rio-Grandense.







EM TEMPO: o primeiro negro a jogar no Inter foi Dirceu Alves, em 1928, jogando apenas 10 jogos. Já o Grêmio teve jogadores negros desde a década de 20, mesmo de forma extra-oficial.

De 1925 a 1935 o Grêmio teve Adão Lima, por exemplo. Na própria foto do time de Lara vemos vários negros e mulatos.



A fonte do tópico é: Memorial do Rio Grande do Sul

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Macaquitos

Recomendo a leitura do texto do meu parça Túlio, que mora em Buenos Aires, sobre o suposto caso de racismo do nosso querido Maxi. Aqui o link.

Estamos contigo, Maxi.