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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Bipolaridade e Cudum

Vi só os melhores momentos do jogo do Grêmio ontem, por motivos profissionais. Não porque tenha ficado louco de faceiro para ver os gols que tomamos e rir da cara do Odone e do Pelaipe (porque eu estaria caçoando de mim mesmo, como torcedor do Grêmio). Mas porque a repercussão da noite desastrosa do Victor foi monstruosa. E eu não vi esse caos que dizem aí. O Victor saiu muito mal no segundo lance e devia ter chutado a bola para a lateral (mais uma vez) no terceiro gol. Então tá, vamos imaginar que ele não estivesse no jogo ontem. Ia ser um a zero. Ah, íamos perder com mais honra? E isso dá o que, título moral? Esse tipo não me serve.

O Victor falhou em dois gols e evitou outros dez. Mas o mundo caiu, todos os jornais estão pintando ele de vilão da história. Ah, ele tá fazendo merda com a bola nos pés? Pois até a chegada do Kisuco, que estava acostumado a recuar todas para o Rogério Ceni, ninguém recuava para o Victor. Por que insistem nisso agora? Treino de posição resolve esse problema. Para mim, essa cobrança tem nome e está intrinsicamente ligada com as novas teorias da administração. É a velha política milenar japonesa chamada Cudum. Quando alguma coisa dá errada, procura o Cudum pra botar. A derrota passou por tanta coisa ontem que botar tudo na conta do Victor chega a ser vergonhoso. Ah, mas tu nem viu o jogo, dirão uns. Olha, se o time adversário chutou dez bolas na goleira, a culpa não foi do Victor. O time todo ficou como eu: não viu o jogo.

E aí vem a outra parte ruim do grande período sem títulos que vivemos: o Gremista desenvolveu a bipolaridade. Ontem perdemos e ninguém presta, tem onze titulares na lista de dispensa. Se vencemos domingo, ainda dá tempo para o título e, com uma ou duas peças, vamos lutar pelo mundial. Nem céu, nem inferno. Perdemos, pronto, chega. Não dá para dizer mais do que isso depois de três jogos com o velho treinador novo. Ele ainda está experimentando para ver com quem pode ou não contar. São três semanas de treino! Não adianta choramingar, procurar culpados, se descabelar. Só resta torcer. Acho que tá na hora de rir um pouco de nós mesmos para descontrair.

Chega de querer sangue. Foco no objetivo. Temos que fazer 47 pontos. O resto é lucro. Agora, se isso se repetir em 2012, pegamos em armas e damos um golpe de estado.