domingo, 23 de janeiro de 2011

A "Torcida", o Jonas e o Dilbert

Não gosto de alimentar polêmicas, ainda mais em semana do jogo pela Libertadores, porém esse assunto não foi comentado aqui no blog e o Fagner, nosso leitor assíduo, escreveu um texto que não poderia ficar só num email.

Segue:

A "Torcida", o Jonas e o Dilbert

Estou realmente cansado de ver alguns torcedores da Social argumentando que o Jonas exagerou. Dizem, principalmente, que ele é jogador do Grêmio e que a “torcida” é que paga o seu salário. Mesmo desconsiderando que o Grêmio fatura mais de verba de TV do que do Quadro Social (o que significa que o Grêmio depende mais dos torcedores que não estão no estádio do que daqueles que gastam uma merreca por mês e acham grande coisa), ou que a vaia nunca ajudou ninguém a jogar melhor, resolvi pensar um pouco no que eles dizem. A conclusão que cheguei é que essa “torcida social” é, em verdade, o mais “perfeito” chefe se tomarmos como parâmetro as tirinhas do Dilbert – nunca se põe no lugar do funcionário. Assim, resolvi deixar um pequeno exemplo, como ilustração dessa conclusão.
Tu está trabalhando numa empresa já faz três anos. Depois dos primeiros três meses, depois de perder uma venda que já era dada como certa, mesmo tu tendo feito a tua parte perante uma maluquice do teu supervisor de fazer o cozinheiro apertar parafusos, te mandam para uma filial na Sibéria. Tu tira a filial da Sibéria do inferno e tem um trabalho destacado, sendo lembrado como “o cara” da Sibéria. Aí tu volta, não vai tão bem nos primeiros meses, e teu chefe começa a reclamar de ti. Te coloca de lado. Coloca no teu lugar um figurão em fim de carreira, que faz questão de ter uma máquina de escrever na sala dele. Com muita luta, tu supera ele. Aí, contratam um argentino metido a bonzão, com uma mulher gatíssima para apresentar nas festas, e dão um salário dez vezes melhor para ele, sendo que ele não produz metade do que tu produziu. Mas teus chefes adoram ele, porque ele fala “jo” ao invés de eu. E no final, o “lindo” resolve ir embora mesmo no meio de um compromisso firmado, dando um desfalque na empresa.

Aí tu acha: “bom, agora vão me valorizar”. Logo depois, com medo da concorrência que começou a crescer o olho, os teus chefes resolvem discutir um aumento. Tu quer garantias de que vai poder continuar mais tempo, para realizar os teus projetos e tal. Mas, no final, ganha um aumentinho e a promessa que no próximo ano a lenga lenga recomeça. O que tu recebeu te coloca com o salário perto do que os outros funcionários, que não rendem metade do que tu rende. Nem comprar uma apartamento, porque em 24 meses é possível porque tu não tenha como pagar no final. Mas tu aceita, acreditando que 2010 vai ser o teu ano.

Enquanto teus chefes estão se reunindo e trazendo gente de “primeira linha” para o teu cargo, te botam denovo na salinha e te tiram do “time principal”. Mas só até dar o primeiro problema. Te chamam e tu mata a pau. Começa a bater recorde encima de recorde. Poucos funcionários na história da empresa fizeram o que tu fazia. Parecia que agora ia. Tapinhas nas costas e coisa e tal. E aí tu sai de férias. Quando tu chega, teus chefes te dizem: atrasado mais uma vez? E ainda quer me cobrar aumento de salário…

Tu realmente iria ficar quieto? Eu arrumaria as minhas malas e ia embora (como já fiz ao longo da minha curta carreira de dez anos). Sou bom demais no que faço para ficar trabalhando para quem acha que eu devo um favor.

Saludos,
Fagner

8 comentários:

Marcio disse...

Concordo com toda a relação que o Fagner fez em relação à ingratidão do chefe (parte da torcida) para com o funcionário (Jonas). Porém eu continuo achando um exagero dele, até porque eu estava na social e não lembro de ouvir UMA vaia endereçada a ele. Houve pouquíssimas vaias ao Maylson e no mais era aquele desconforto de uma derrota em casa para o Zequinha a 6 dias da estreia na Libertadores. Se cada jogador vaiado tivesse uma reação dessas, imagina o que faria o Fábio Santos? Nem comparo a produtividade dos dois, mas jogador de futebol tem que saber que vaia faz parte do negócio...

Falcao disse...

Sem mais,exatamente isso.

Renato disse...

Eu também estava na social e sim, houve vaias específicas para o Jonas (como outros também estavam sendo vaiados, tipo o Maylson).
Rolou um lance uns 2 minutos antes do gol em que o Jonas recebeu de costas pro marcador próximo do círculo da grande área e se atrapalhou, e ali rolou um muxoxo bem forte.
Mas acho que o Jonas se revoltou mais com a vaia para o time do que só para ele.
E já passou da hora do Fagner escrever para a gente.

Um por Todos disse...

É o famoso "santo de casa não faz milagre".

Abraço,
Mosqueteiro.

TiagoR disse...

Fagner, sinta-se convidado! Manda mail pra gente! Saludos, Tiagor

Tobias disse...

Na hr do segundo gol, quando focalizaram o Jonas, ficou nítido ele dizer: vou embora dessa p****. Se ele estava indeciso entre a Europa e a LA a torcida fez o favor de decidir por ele. Ás vezes parece que a torcida do Grêmio merece ídolos como o Ronaldinho mesmo. Estou totalmente desencantado. Sou de SC e estava me associando, mas estou largando de mão. Podem dizer q não sou gremista de verdade, bla, bla, bla. Ando mensalmente 500Km, pago preços abusivos quando vou ao Olímpico só para ver o Grêmio. Odone não me estimula a nada. Fica esse Vicente Martins de m**** falando um monte de bobagem. A LA11 acabou!

M. disse...

E depois querem falar dos moranguinhos que perderam p/Mazembe...MAS NUM MUNDIAL E DPOIS DO BI DA LIBERTADORES!!Eles quando vendem seus jogadores lucram MUITO!Venderam aquela NABA do Giuliano por 10 MILHÕES DE EUROS!!Talvez seja por isso que nos últimos anos estejam disputando finais e GANHANDO várias...SOU TRICOLOR E SEREI SEMPRE MAS ESTA TRAIRAGEM (tbém do Jonas, MAS MUITO MAIS DA DIREÇÃO, ATUAL E PASSADA...) DECEPCIONA E ME FAZ ENXERGAR A REALIDADE; NÃO IREMOS ALÉM DAS OITAVAS NA LIBERTADORES!O TAL VICENTE MARTINS É UM ENERGÚMENO E O ODONE UM INCOMPETENTE POR TRAZÊ-LO P/A DIREÇÃO DE FUTEBOL... ESSES PLAYBOYS DA SOCIAL DEVIAM VAIAR ESSA DIREÇÃO BURRA MAS DUVIDO MUITO POIS SÃO TODOS AMIGUINHOS...

Cristiane Bellenzier disse...

Acho que o que o Jonas fez esta totalmente no direito dele, porém ele poderia jogar quarta e anunciar isso quinta. O Grêmio esta realmente mal das pernas. Garanto que ninguém vaiou esse mesmo time no final do ano passado. Acho que foi exagero vaiar tanto o time como o Jonas, o time esta entrando no ritmo e isso demora. Fico chateada que o Jonas esqueceu que nem metade da torcida estava no estádio nesse jogo em que ele e outros foram vaiados, e tenho certeza que se a casa tivesse cheia isso não teria acontecido. Fico chateada também porque a diretoria perdeu tanto tempo negociando com um traidor e esqueceu de quem já era da casa e de posições que não eram realmente completadas. Só espero não ficar mais triste ainda daqui a 1 semana e meia. Abraços.