quarta-feira, 27 de abril de 2011

Um pequeno manual em prol da volta às origens



Prefácio:

 Depois de anos de amargura, perda de mata-matas, alguns ruralitos ganhos, o Grêmio DESAPRENDEU a jogar uma copa. Bem como sua torcida virou um bando de comedores de amendoim impacientes movidos a sangue que escorre de cabeças de técnicos e dirigentes decepados. Salvo raras excessões, deixemos claro.

Introdução:

Devemos REFUNDAR o clube, desde sua cultura tática, passando por uma MANUAL DE GREMISMO & ORTODOXIA, com clarividência nas contratações e pertinência e paciência na busca por melhores e mais predispostos jogadores.

Capítulo #01 - As sementes e a chave do sucesso

O Grêmio e seu torcedor, nos últimos DEZ ANOS, vem sofrendo com dirigentes ruins (salvo raras excessões) e que se contentam com o que a parte RASA do mercado oferece. Ousadia é uma palavra que não tem aparecido no dicionário gremista nos últimos anos. Não a ousadia de trazer um JOGADORZAÇO, mais sim, a ousadia de bancar apostas em nome de uma cultura de futebol enraizada, porém esquecida, no clube: o COPEIRISMO.

Não é possível fazer um time indignado com pessoas não passam fome. Não que isso seja uma LÍBELO pelo não-pagamento de salários, nem um MANIFESTO pela volta dos jogadores baratos. Não. Até confesso que é um pouco complicado de explicar, mas vamos lá: precisamos FORJAR novos Gremistas na base, e como o próprio nome já diz, usar de base no time principal. Aí, somamos jogadores HONRADOS, sejam eles de onde vierem. Para isso, é preciso RESTABELECER a antiga rede de olheiros, que acharam grandes jogadores do passado. Não preciso citar os nomes, eles já vem a cabeça.

Creio PIAMENTE que a chave do sucesso, pra qualquer equipe do Grêmio, é a identificação com o clube. Logo, a solução está na base.

Capítulo #02 - Criando as crias e reciclando jogadores

 Todo jogador que chega ao clube, seja na base ou no profissional, precisa ficar, NO MÍNIMO, algumas horas numa salinha, vendo filmes e filmes, ouvindo relatos e tudo o mais sobre o clube. ANTES DE ASSINAR CONTRATO. Após isso, submetê-lo a um período de LATÊNCIA, onde ele será posto a prova durante dois meses, observado de perto pra ver se assimilou a lição. Feito isso, tem condição de vestir a imortal.

Vou LES dar um exemplo: Diego Souza. Esse aprendeu o que significa Grêmio. Tu podes até questionar a qualidade dele, assim como o Patrício. Mas tu não podes questionar que aprenderam o que tinham que fazer.

Adendo: Jogador que chega aqui e se auto-intitula IMORTAL, tem como único destino o aeroporto. Nenhum jogador é imortal, e esse conceito é tão e somente aplicado à INSTITUIÇÃO GRÊMIO, e nem sempre tem explicação pra isso.

Capítulo #03 - Reaprendendo o que sabíamos

É notório que esses anos de DISSABOR afetaram consideravelmente o clube. Seja na torcida que não tem paciência nenhuma mais, seja na diretoria que passa mão na cabeça DUNS VAGABUNDO, seja na falta de comprometimento com o amanhã.

É de ser REIMPLANTAR a cultura copera no Grêmio. O regulamento da competição tem que ser ACOPLADO ao braço do jogador, descansando entre o membro e o SOVACO do dito, tal qual uma capanga. E pra isso, precisamos nos espelhar em nós mesmo e no nosso histórico. É mais que NOTÓRIA a escola gremista de futebol. Força, segurança defensiva, e saída rápida em contra ataque. Assim ganhamos tudo que poderíamos ter ganho.

E pra tanto, vamos ao quarto e último capítulo.

Capítulo #04 - Montando um time vencedor

Comecemos com um goleiro formado na base. Victor é um BAITA goleiro, convenhamos. Mas ele, apesar de tudo, é um tremendo dum AZARADO, pra não falar que em jogos decisivos, e onde o goleiro precisa CRESCER, ele diminui, some. Goleiro se faz em casa. Essa frase é batida, mas coerente. E o nome pra isso é Busatto. Que além de ser um BAITA ARQUEIRO, ainda cresce na dificuldade. Ou não viram as finais da sub-20 ano passado? Agradeçam a ele o título.

Zaga: Aí mora, junto com a meia cancha o setor NEVRÁLGICO do Grêmio. Esse setor é CRUCIAL em qualquer time. Paulão Caveirão, apesar de sua tosquice, mostrou, no pouco tempo que passou por aqui o que um zagueiro precisa fazer. Ser simples. E ter porte físico. E não um topetinho e tatuagem com nome das filhas no pescoço. Zagueiro que é zagueiro tem que ter cara de mau, tem que ser grande e firme.

Laterais: Não nos adianta um PANGARÉ que ocupa a lateral sem ocupar. É o caso do Gílson. Que não sobe e não desce. Gabriel desaprendeu a jogar. Mas esses nomes não vem ao caso agora, e sim o MODUS OPERANDI da coisa. Direção, dê uma olhada no mercado Paraguayo. É mais que um tradicional fabricante de laterais. Um deles é prioritariamente DA CASA. Ou, salvo raras excessões, buscado em algum clube do interior paulista, outro mercado muito mal aproveitado pelo Grêmio.

Laterais rápidos, pra sair em contra golpe, PELAS LATERAIS, e que não afunilem o jogo pro meio, onde invariavelemnte perderemos a bola (isso vem acontecendo a anos, acredite).

Meio de campo: A chave do time vencedor é um bom porteiro. O cara que decide quem entra no setor defensivo do Grêmio, a bola ou o jogador. Esse jogador, confesso, é um artigo raro. Mas abundante na região do rio da prata. E também no Nordeste. Tradicionalmente, os times do Grêmio começam por ele, o volante de contenção, ou mid-filder, ou meia-cancha, ou cabeça de área. E é sempre de BOM GRADO ter dois espécimes, um de primeiro e o outro de segundo.

Na meia ainda, precisamos de gente rápida, que acione os laterais, e faça a PELOTA rolar de pé em pé, rapidamente e LETALMENTE, de preferência.

Centroavância: Aqui é um terreno CLÁSSICO. O clube tradicionalmente se vale de dois artifícios. Um atacante rápido, movediço e um centroavante de área, de imposição física, grande e obejtivo.

Adendo: um ítem que precisa ser aprimorado é a objetividade. A razão do jogo é o gol e ele tem que ser buscado com o AFÃ de um guri quer dar o primeiro JATO. Sem perder tempo, reto e liso.

Adendo II: Vontade e superação. Até o mais perna de pau já conseguiu se dar bem no Grêmio. Mas pra isso, ele tem que ser dedicado e ter vontade. Não pode existir bola perdida. Muito menos tirar o pé. Quem se preserva que vá jogar volei, onde não há contato físico.

Adendo III: Não ao ESTRELISMO. Mesmo que alguém ganhe mais que o outro, dentro do campo são os onze que ganham ou perdem. Todos são iguais. É o socialismo de Marx e Engels posto em prática. Ou seja, quando ganha, foi o Grêmio que ganhou, não o Fulano ou o Siclano. Quando perde, a mesma coisa. Logo, há de haver solidariedade. Sem isso, não se faz um time campeão.

Adendo IV: Direção, vasculhe o mercado sul-americano. Tem muito jogadores bons e o momento nunca foi tão propício pra se trazer jogadores. A Argentina, Uruguay e o Paraguay não pagam bons salários em comparação ao Brasil. Tá na hora de retomar os antigos contatos e trazer alguns RAZUDOS jogadores.

Conclusão: Com tudo isso posto, temos que reimplantar a cultura Copeira no Grêmio. O Grêmio precisa voltar a ser Grêmio, o clube que outrora era temido em seus domínios e muy respeitado fora deles. Precisa voltar urgentemente a jogar ORGANIZADAMENTE e com força física, força ofensiva e de incansável busca pelo resultado. Não tem bola perdida e o jogo só acaba quando o juiz apita (mesmo que as vezes comece antes do apito, com corte de água, pintura de vestiário visitante...) E se por ventura perder, que venda muito caro essa derrota. Jogando de cabeça erguida e honrando a tradição.

Posfácio: Leitor, contribua. Passe adiante esse texto, aprimore-o, comente e o principal, não fique parado. Exija mudanças, mas não as exija na base da vaia, pois assim não funciona.

14 comentários:

Maicon disse...

Acrescento em tudo isso que precisamos aprimorar também o preparo físico, hoje em dia muitos jogos ganha quem tem melhor preparo, ou se não ganha pelo menos domina o final do jogo.
Esse ano em alguns jogos vimos alguns jogadores cansados antes da metade do segundo tempo, o que prejudica o rendimento de toda a equipe.

Arthur disse...

Parabéns Snel, antes de ler eu pensei, não vou conseguir ler um texto desse tamanho, to com preguiça.
Li o primeiro capítulo e quando fui ver já estava na conclusão, de tão brilhante e simples é o texto, Manual Gremista.

Grêmio com cara de Grêmio, só lembro em 2007, ou seja, 4 anos sem Grêmio.

Não podemos de pensar apenas no Grêmio neste último jogo, devemos olhar o Universidad, que mostrou ter qualidade ofensiva, como você mesmo citou, é o mercado Sul-Americano, mal explorado pelo Grêmio.

Nicolas disse...

O capítulo 4 é de total excelência e utilidade pra qualquer pessoa envolvida na direção e no grupo do Grêmio.Basta "alguém" parar, analisar e ver que essa coisa tá toda,mas toda errada mesmo.Começando por um dirigente "não cego".Cadê o Coates que a direção tanto prometeu em parceria com a Traffic?Ou vocês acham mesmo que ele não arrumaria pelo menos um pouco dessa defesa aérea do Grêmio?!É tempo de reclamar,SIM!É tempo de mudanças,é tempo do torcedor parar de ser idiota,acreditando que tudo vai mudar com a imortalidade.O GRÊMIO é IMORTAL,esse time de hoje,nem um pouco.A resposta das derrotas a gente já conhece:"Não tá morto quem peleia!"É,MAS PRIMEIRO TEMOS QUE PELEAR!ACORDA MEU GRÊMIO!!!

Fabrício disse...

baita texto...excelente percepção...e é isso mesmo que precisamos resgatar...GREMISMO DE VERDADE, CULTURA GREMISTA.

alguém disse...

Faltou o capítulo "Buscando um técnico que saiba o que está fazendo".

Jorge Luís Knak disse...

Ontem, no Olímpico, a torcida estava desanimadora. Sei que o time também estava, mas é daí? É importante que possamos continuar cantando e empurrando o time justamente quando a coisa não está indo bem. Não é isso que nos torna torcedores? Que é isso? Fomos exemplo de torcida e queremos continuar assim. Vamos lá gente, independente do que ocorrer, independente de direção, no estádio a coisa não pode ficar assim. Sou a favor das análises críticas, etc, mas hora de jogo é hora de jogo.

Fabio Victória disse...

"Força, segurança defensiva e saida ra[ida para o cotra-ataque? VAi me perdoar, sou gremista como qualquer um de vcs. O que falta é futebol mesmo. Esse gremismo "copeiro" pra mim é papo gasto. Quero ser campeão de copas, quero ser mais vezes campeão brasileiro tanto qianto vcs. Mas esse conceito velho e desgastado de gremismo "forte na defesa", cheio de carrinhos e chutões não corresponde ao que eu e muitos outros gremistas entendem por futebol. A única consciência que se deve ter no clube parte de duas premissas: se o time é mais fraco que o meu, tenho que ganhar: ponto. JOgador que não serve pra mim é o que diz que nnao tem mais bobo no futebol. A outra, é que um time se faz com jogadores que, sim tenham garra e honrem a camiseta, mas uniso a isso tenho bola no corpo e inteligência pra jogar. Patricios não servem: ponto.

Brupa disse...

Não há nada para ser comentado sobre o texto. Ele está perfeito!
Publica-lo-ei no twitter, facebook, passarei para os vizinhos!
Excelente! ;)

roque disse...

PARABÉNS. Quem me dera alguem da direção ler este texto e decidir administrar o clube. O que ocorre hoje, me parece, é somente briga de beleza entre vários grupos. O presidente Pavão e seu diretor AVC, antes da eleição tinham um grupo investidor com milhões para colocar no time. Diziam também que o grupo era fraco. Pois conseguiram perder o goleador do time devido ao sonho com o dentuço e não trouxeram reforços. Não sabem como administrar ou não querem? Se lerem este manual ficaram em depressão pois ele mostra que até agora fizeram tudo errado.

Rafa disse...

José Luis Knak,

Até concordo com relação a torcida.
MAs ela tá cansada. Eu sou um. Sempre apoio, nunca vaio durante o jogo ( nem o Gilson). Mas ontem, depois do segundo gol, me calei. Inaceitável oque aconteceu e vem acontecndo. Fiquei apático e tive vontade de sair da Geral.A torcida já não tem forças pra apoiar isso que está aí! E isto não é o nosso Grêmio!

Jorge Luís Knak disse...

Ah, além da questão que levantei da torcida apática, convenhamos, o grêmio parecia um time de gordos tentando correr. O Universidad deu um banho de agilidade. As exceções para mim foram Rockemback e Leandro (que só não apareceu mais pela forte marcação em cima dele).Que falta fazem Bruno Collaço e Lúcio. Douglas é importante no time, mas velocidade não vem dele.

Matias Leidemer disse...

Ontem, gostei muito do Neuton, gremista, da base. Era o primeiro a meter o dedo na cara do adversário, inconformado, brabo. Pra mim, um alento nesse time cheio de safados. Adilson jogou muito também, deve ter feito uns 50 desarmes. Precisamos de mais jogadores de base com GREMISMO tatuado no braço. Jogadores sem medo, inconformados, com a pegada que fez o nosso time ficar famoso. O último time que lembro ter isso foi o de 2007.

Quanto a torcida, entendo perfeitamente a falta de ânimo. Impossível evitar.

Webmaster disse...

disse tudo! esse texto tem que chegar nas mãos dessa maldita direção tricolor!!
bah, podia fazer chegar no Paulo Sant anna, ele com certeza ia fazer algum comentario e a direçao do Imortal ia tomar conhecimento das reivindicações da torcida!!

Jeferson Fernandes disse...

Belo texto! Manda pra direção!

E contatos pela América o Gremio tem. Pergunta pro Arce e Rivarola no Paraguay se existe por lá um zagueiro ou lateral que vista com honra a camiseta tricolor. Temos Hugo de León também. Contatos temos aos montes, só falta boa vontade dos dirigentes.