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sábado, 16 de abril de 2011

Vamos tentar entender?

O Tito propôs uma revisão de conceitos no post anterior, e eu acho que tocou em pontos interessantes, embora eu não tenha concordado com algumas coisas. Mas o exercício me levou a pensar um pouco sobre o que aconteceu com o time de 2010 na transição para 2011. Assim, vou fazer aqui algumas considerações que levanto em tom de discussão. Só dizer que tá tudo errado não ajuda; tentar saber o por que é o primeiro passo para resolver.

Primeiro lugar: qual foi o melhor time do Grêmio no ano passado? Victor, Gabriel, Paulão, Rafa Marques, Fábio Santos; Rochemback, Adílson, Lúcio e Douglas; André Lima e Jonas.

Pois bem. Temos tomado muitos gols, mesmo com o Victor fazendo alguns milagres. O que mudou? Tínhamos no ano passado um zagueiro de bote (o Paulão) e um de sobra (o Marques) que, nesse esquema, destruíram no segundo semestre. Hoje, o Rodolfo é de sobra e fica a mesma indefinição que tinha quando tínhamos o Kisuko e o Marques. Temos zagueiros de bote no plantel? Na minha opinião, sim: Mário Fernandes. O Saimon e o Neuton também conseguem fazer isso. O Gabriel não vem jogando bem, e isso é natural. O problema é que o sombra dele está quebrado. O Edilson vinha jogando bem quando entrava.

O meio jogava diferente. O Rochemback protegia a zaga e distribuía jogo e o Adílson desarmava e passava de lado. Isso não mudou. Mas temos um meia a menos esse ano. Digo isso porque não tínhamos "ultrapassagem" pelo lado esquerdo, como os comentaristas (deve ser de Fórmula 1) vivem pedindo para acontecer no Grêmio. O lateral passando do lado do Lúcio ocorre todo o jogo. O que não acontece mais é a troca de laterais, com o Fábio indo para a do Lúcio, enquanto o Lúcio vinha para o fundo. Sempre tínhamos quatro no meio. Hoje, quando o Lúcio vai para o fundo, temos um "atacante" a menos, pois o lateral que for não ocupa o lugar dele no meio. Temos isso no plantel? Não. Assim, eu acho que o Lúcio deve voltar para a lateral e temos que jogar com um meia no lugar.

E o ataque? Para mim, o melhor ataque do Grêmio no ano passado era Borges e Jonas, mas quando jogaram juntos o resto do time estava capenga. E o grande DIFERENCIAL era o Jonas. Tem gente que não gosta dele, e eu respeito a burrice e teimosia alheia. Mas o cara achava um gol sempre que a partida estava difícil. E de todo o jeito: de fora da área, driblando dois ou três, ou pegando uma sobra. E ainda mais: a saída dele é um dos motivos maiores do momento do Gabriel. O nosso lateral não ia até a linha de fundo, porque o Jonas era quase ponteiro direito, na maior parte das vezes. Além disso, saía para buscar jogo no meio, virava jogada, tabelava com o atacante que fosse e chegava no gol. Não enxergar isso é ser doente de tão teimoso. Temos alguém para fazer isso? Não. Mas o Leandro pode quebrar o galho.

Assim, ao contrário dos colegas que se manifestaram aqui, acho que o Grêmio precisa de meias (que queiram jogar como meias), e não de volantes. O Grêmio precisava de um cara como o Gilberto para a vaga do Lúcio, ou um como o Tcheco para jogar no lado direito, com o Gabriel, e um atacante ninja, que podia ser (e eu nunca pensei que diria isso) o Rafael Moura. Ou seja, ou trocamos de sistema (e eu acho que é isso que o Renato está tentando fazer) ou temos que contratar. O que torna difícil cobrar o mesmo desempenho do ano passado.