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sábado, 13 de agosto de 2011

Amadorismos

1991. Depois de seis anos detonando o rival nos torneios regionais a soberba começou a rondar o Olímpico. É uma das minhas primeiras lembranças do futebol: fim do Grenada do Beira-Rio, 2x0 para nós, e um dirigente sai da casamata gritando para a imprensa (sempre ela): "hepta, rumo ao octa". Não foi o que ocorreu. No último jogo, empate em zero a zero e o título ficou por lá. Caiu todo o mundo - inclusive o time, que voltou a subir no ano de 1993.

Em 93 o Grêmio vinha ressurgindo, ainda sendo massacrado pela mudança de regulamento de um campeonato de segunda divisão onde fez campanha sofrível e de ver os cocô-irmãos levantarem pela segunda vez o Ruralito em sequência. Na presidência, o retorno de um ícone, com dura missão. Depois de raspar os cofres e contratar um time com teias de aranha, colocou no comando um jogador do marcante título de 1977 (que substituia o titular Ancheta), Cassiá Carpes. O resultado foi o retorno do sorriso ao rosto do torcedor. Porém, depois do título veio a recompensa: demissão. Eu fiquei indignado com isso. Enquanto Fábio Koff dava a mínima para a comoção que ocorreu entre os torcedores, anunciou a contratação de Luiz Felipe Scolari.

Foi pelo comando do nosso bigodudo mor que vencemos a nossa segunda Copa do Brasil, em 1994, de forma invicta. Como prêmio, Paulão, Agnaldo, Ayupe, Jamir, Pingo e Fabinho deram adeus ao clube. Se eu já não tinha gostado da troca de comando (ah, tá, vai lá, ganhamos um título, pelo menos) depois disso, eu estava espumando. Quem ia bater as faltas e os escanteios no lugar do Ayupe? Como manter a marcação no meio sem o Jamir e o Pingo? Quem vai botar o Nildo na cara do gol se não o Fabinho? E a defesa, sem a raça de Paulão e a experiência do Agnaldo?

Não preciso nem dizer quem chegou para a Libertadores de 95 e os resultados que tivemos ainda em 96 e 97 graças a isso. Ou seja, eu, torcedor, estava totalmente errado, mas a direção não. Amadorismo é achar que um título, ou uma classificação para a Libertadores, mascara as necessidades de um time. Amadorismo é se esconder atrás da popularidade para não tomar as decisões que devem ser tomadas, contra a torcida, se for preciso. Amadorismo é ir contra a tua ideia de futebol para não deixar ninguém magoado. Espero que esse amadorismo não volte ao Olímpico, independente do resultado do nosso time ainda esse ano. 2011 ainda segue para nós, torcedores. Para a direção, devia ter acabado há mais tempo: 2012 exige planejamento.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Para os paladinos da justiça, uma simples hipótese

Em época que muita gente amarga arrota ética, vale lembrar duas pequenas histórias e juntar os fatos.

Dezembro de 2007. O Goiás vence o Inter no Serra Dourada, na última rodada do Campeonato Brasileiro, e se livra do rebaixamento. Os jogadores e dirigentes do Corinthians, talvez para mascarar a sua incompetência, dizem que os colorados entregaram o jogo. Puro choro de perdedor, mas não dá pra negar que a entrevista do vice de futebol do Goiás dias atrás, falando da "dívida de gratidão" com o Inter sobre 2007, cheirou bem mal.

Junho de 2008. Iarley, então na reserva do Inter, é comunicado que está sendo negociado com o... Goiás! Quem tem boa memória lembra que foi algo estranho, o jogador não viu outra opção e acertou salários com o clube goiano. Sua saída causou mal estar entre diretoria e jogador, que não esperava ser "dispensado" daquela maneira.

Agora eu pergunto: por que o Goiás foi "escolhido" pelo Inter como o destino de Iarley? Algo a ver com uma suposta "dívida de gratidão"?

Acho que não. Na Avenida Padre Cacique, impera a ética e a retidão de caráter.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Lembrando de 1996

O GREnada do Brasileirão de 1996 foi no chiqueirão e nós ganhamos de 2 x 1, com um gol de bicicleta do Paulo Nunes e outro de falta, do Cangaceiro Dinho.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

12 anos sem um dos meus maiores ídolos

Hoje fazem exatos 12 anos que meu pai morreu.

O velho Tito era um sujeito nascido na primeira metade do século passado, no interior do Rio Grande. Ele perdeu a mãe quando tinha 8 anos, criou-se com os irmãos, sofreu na mão de uma madrasta cruel e de um pai que ele adorava, mas que era bem violento.

Meu pai teve aquela educação bacana, anterior à reforma do ensino – tempo em que se aprendia francês em vez de inglês e a disciplina era rígida.

Lá em Santa Maria o seu Tito era Riograndense. E Grêmio. Por isso, sempre odiou os Cocolorados, de lá e daqui. Ele era um fundamentalista: não usava vermelho em hipótese alguma. Nunca.

Quando guri, o velho matou muita aula em Santa Maria pra jogar bola. Meses seguidos num mesmo ano, inclusive, o que lhe rendeu uma surra um pouco maior do que as habituais quando a casa dele caiu. E um ano perdido.

Ele nem acabou o colégio. Foi pro quartel e, findo o serviço militar, vazou pra capital pra jogar bola.

Ele dizia que veio a Porto Alegre pra ser jogador do Grêmio, mas o irmão mais velho dele, o Tabajara, só conhecia gente no Cocolorado. Era onde ele podia tentar alguma coisa, mas isso ele não aceitou.

Acabou descolando um free numa cobertura de um grande incêndio. A editoria de polícia, naquele tempo, era o começo da carreira de jornalista e ele acabou contratado no Diário de Notícias.

Depois que empastelaram o jornal, quando o Getúlio se matou, ele foi pra Caldas Júnior, conheceu a minha mãe por intermédio do meu tio, foi para a Faixa de Gaza com uma fotinho dela na certeira e, na volta, namorou, noivou, casou, teve filhos e aqui estamos nós.

Entre o dia 24 de abril de 1971 e o dia 6 de setembro de 1995, ele me contou milhões de histórias sobre o Grêmio, me deu a primeira camisa tricolor, me levou ao meu primeiro jogo no estádio.

Tenho uma ponta de orgulho de ter ido com ele ao estádio pela última vez. E nem foi em jogo do tricolor: estivemos naquela semifinal do Brasileirão de 1985, entre Brasil de Pelotas e Bangu, no Olímpico.

Depois a saúde foi ficando complicada e ele parou de ir. Mas nunca deixou de acompanhar o tricolor, pelo jornal, pelo rádio e pela TV.

No dia 6 de setembro, há 12 anos, mal tinha completado uma semana que o Grêmio ganhara o bi da Libertadores. Ele tinha sonhado com o empate e o título.

Poucas vezes na minha vida eu vi meu pai tão feliz como depois desse jogo. Combinamos de ir ao Japão ver o jogo contra o Ajax, mas não rolou.

Toda a vez que eu vou ao Olímpico, dou uma olhadinha pra ele e pra minha mãe, que estão ali no João XXIII, com visão privilegiada do Monumental.

Tenho certeza de que ontem eles devem ter ficado muito felizes com o nosso time.

Esses 12 anos passaram voando. E é por isso que eu ainda sinto saudade do meu primeiro grande ídolo gremista, o seu Tito Ubiratan Tajes.

Fica aqui o meu beijo para ele e também pra dona Miroca.

Vai demorar um pouco, mas um dia ainda vamos voltar a tomar uma cervejinha (pode até ser Kaiser, já que vou ser o último a chegar) e assistir aos jogos do tricolor em alguma garagem que foi transformada numa peça ampla pra reunir a moçada.

E meu muito obrigado por ele ter me transformado em tricolor desde antes de nascer.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Eles querem entregar as faixas para o Boca

Essa notícia ridícula tá no CP de hoje: o Baitolorado quer fazer amistosos com o Boca pra entregar a faixa de Campeão da Libertadores.

Agora tem que ver se o Boca vai querer receber as faixas deles.

Em fevereiro de 1984 (ou janeiro, não lembro bem), depois do Mauro Galvão ter dito que a gente podia ser campeão do mundo mas que o Rio Grande tinha dono, o Renato Portaluppi pediu para o Presidente Fábio Koff marcar um Gre-Nal pra esclarecer a situação e foi atendido.

Os atoladinhos do aterro nos entregaram as faixas de Campeão do Mundo e receberam em troca a de Campeões Gaúchos.

Em campo, Portaluppi mostrou quem mandava no Rio Grande: Grêmio 4 x 2, com dois gols dele.

É a velha história: a boca fala, o boró paga. Aliás, acho que é por isso que eles falam tanto. Para o boró deles pagar.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Sobre o dia 19 de junho de 2005

O Grêmio foi a Goiás enfrentar a Anapolina bem no horário de visita da UTI onde a minha mãe, Dona Miroca, estava internada.

Quando saí de dentro do carro estava 1 x 0 pros goianos. Quando cheguei na porta da UTI, antes de lavar as mãos e esperar pacientemente pela liberação das visitas, liguei o rádio e o Grêmio já tinha levado mais dois.

Comentei com a minha velhinha querida que a coisa tava feia, o Grêmio tava levando a maior goleada da Anapolina.

Ela pegou a caneta e o papel e escreveu, com a letrinha bem trêmula:

Por que tu não ficou em casa vendo o jogo?

Disse pra ela que o jogo era menos importante do que ficar com ela. Ainda brinquei que, se fosse numa final, talvez eu ficasse em casa. Ela riu do jeito que desenvolveu naquele lugar, mexendo os ombros e com um brilho nos olhos.

Acredito que no dia 20 de junho de 2007, dois anos e mais um dia depois daquela noite pavorosa por todos os motivos, o Grêmio vai sair campeão.

E eu vou lembrar da Dona Miroca e do Seu Tito, que me fizeram o homem que eu sou, com todos os defeitos e a maior de todas as virtudes: ser gremista.

Dá-lhe, chinelada! Não vão acabar com a gente assim!

terça-feira, 29 de maio de 2007

Como se ganha um mata-mata com a primeira partida em casa



Grêmio 3 x 1 El Nacional

Copa Libertadores da América - 1995 - Final - Estádio Olímpico Monumental

Oh, meu Deus, vamos decidir com o Santos na Vila Belmiro!

Quer saber? Grande coisa!

O Grêmio ganhou um Brasileirão jogando a primeira partida em casa e a segunda no território do inimigo. E duas Copas do Brasil. E uma Libertadores. E se classificou assim em diversos campeonatos também.

Ou seja, devemos respeitar o Santos como grande adversário que é, mas não devemos temê-los mais por decidirmos fora.

Em 1995, a torcida teve medo de jogar a primeira em casa. Três a zero era a conta de todo mundo pra ir à Colômbia sem medo.

E o timaço do Grêmio, com todo mundo jogando bem (vale a pena ver o vídeo), foi pra cima e, no começo do segundo tempo, já tinha 3 x 0. O último gol, por sinal, foi bem no lado onde estàvamos, Beto, Rafa e eu, nas cadeiras laterais.

O Nacional não era bobo, ao contrário do que podem dizer alguns detratores. O Higuita segurou muito e os colombianos sempre levam perigo. Lá pelas tantas, um maluco sai a drible e eles fazem 1. 3 x 1. O jogo termina assim.

A torcida aplaudiu, mas não ficou feliz de verdade.

Na descida da rampa, a gente só ouvia torcedor reclamando que agora tinha complicado, filhos da puta que levaram o gol, aquele comportamento típico do gremista corneteiro.

Acho que fui eu que comecei, mas estávamos os três muito bêbados pra eu dizer com certeza quem foi. No meu delirium tremens, fui eu, vá lá:

"Vão se foder, seus filhos da puta... É bi-campeão!".

Começamos a gritar só nós três. E o grito foi engrossando.

Bi-Campeão! Bi-Campeão!

De repente, parecia que toda a rampa tava gritando com a gente. Alucinante.

Saímos caindo de bêbados. Na época, eu era muito mal-casado e morava num lugar muito mal-localizado, ali na frente do Chiquei-Rio. Como os guris moravam em Ipanema, fomos a pé até a minha casa. Eles pegariam o ônibus na frente da casa do co-irmão, que andava como hoje em dia: muito mal.

Foi quando resolvemos delimitar o território e mijamos no muro deles! E mijamos muito, paras as próximas gerações não-evoluídas também lembrarem quem manda aqui!

Ainda na parada do ônibus, um funcionário do Once Caldas chegou à parada. O tiozinho nem olhava pra nós. Quando ele subiu no busão e olhou pra trás, antes do ônibus arrancar, gritamos:

Aí, Tio! Achou que a gente não ia dizer nada? Bi-Campeão! Bi-Campeão!

O motorista devia ser gremista, porque deixou tudo isso acontecer com a porta aberta (o embarque ainda era na porta traseira), sem arrancar.

Foi um dia do caralho. E ainda tínhamos mais um jogo pela frente.

Eu temia levar um abafa, mas sabia que ganharíamos o título.

Uma semana depois, o tricolor empatou na Colômbia e foi Bi-Campeão da Libertadores. Mas esse jogo é outra história.

O que vale hoje é que somos acostumados a nos classificar em mata-matas fora de casa também.

E que o Rafa, o Bato eu saímos do Olímpico gritando Bi-Campeão em 1995, numa hora em que muita gente tinha dúvida.

domingo, 13 de maio de 2007

Dia das Mães

Deixo de falar de futebol por um post pra desejar um feliz dia das mães a todas que eu conheço, independente das suas paixões clubísticas.

Porque mães gostam mesmo é dos filhos e filhas. O futebol elas aprendem a curtir pra fazer companhia pra eles.

Saudade da Dona Mirian, grande mãe, que sempre botava uma bandeirinha do Grêmio na janela de casa em época de decisão e de bons resultados. Um beijo pra ti no céu, minha velha!

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Ontem foi aniversário do nosso primeiro título!




A melhor maneira de começar este post é pedindo perdão a todos os leitores e amigos por ter esquecido de escrever ontem sobre isso.
Mas ainda tá valendo.


Parabéns para todos nós, gremistas, pelo aniversário de 26 anos da conquista do nosso primeiro título nacional, no dia 3 de maio de 1981.


Na foto, Baltazar com os braços erguidos (eu falei, eu falei!), seguido pelo Casemiro (o lateral-esquerdo preferido do Beto) e pelo Newmar. Ao fundo, Hugo De León.


Olha o estilo da camiseta Olympikus da galera...


(foto do site do tricolor: www.gremio.net)

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Figurino do dia

Em 1996, na campanha do Brasileirão, aprendi com o meu cumprade Takeda que a gente já tem que sair pra trabalhar com a camisa do Grêmio em dia de jogo importante. Ou nem tão importante.

Ele nunca me disse isso, mas sempre ia trabalhar com a triocolor quando o Grêmio jogava.

Comecei a imitar e deu sorte. Até hoje funciona.

Hoje tô com a tricolor Puma de 2005, o relógio do Grêmio que ganhei do meu sogro e a minha pulserinha preta (a azul arrebentou faz tempo).

Um bom resultado hoje mantém essa boa tradição de 11 anos.

Saudade e um abraço pro meu cumpadre, que vive feliz em Buenos Aires hoje em dia.

domingo, 29 de abril de 2007

Meu primeiro título nacional.

Grêmio 1 x 0 São Paulo

Campeonato Brasileiro 1981 (Copa de Ouro) - Estádio do Morumbi - São Paulo

Acho que, apesar de ir ao Olímpico desde os 4 anos, foi mesmo em 1981 que eu comecei a entender melhor as fórmulas do campeonato. Antes eu só acompanhava o Gauchão, ouvia ou via o Grêmio jogar e chegar à final.

Já o Brasileirão era diferente. Eu ouvia alguma coisa no rádio, o Grêmio até ganhava mas, de repente, perdíamos uma partida e não tinha mais jogo. Uma bosta. Em 1980, se não me engano, isso aconteceu depois da gente levar 5 do timão, com o Remy (ou Remi, sei lá) no gol. Mas pode ser só impressão minha...

Bom, voltemos a 1981.

A fórmula do campeonato era muito louca. Começava com os times divididos em grupões. Os classificados dos grupões (vários) eram amontoados em grupos com 4 times (o nosso tinha São Paulo, Internacional de Limeira e Fortaleza).

Desse grupo saiam dois e começavam os mata-matas: jogamos contra Vitória, Operário MS (encardidíssimo), Ponte Preta (recorde de público no Olímpico - mais de 85 mil pagantes e mais de 98 mil de público total) e, na final, o São Paulo de novo.

Pela melhor campanha, o São Paulo decidia em casa. O que era assustador quando voltávamos no tempo, não muito, e lembrávamos do que tinha nos acontecido antes.

Na segunda fase, o bambi nos deu uma surra no Morumbi: 3 x 0, com direito a expulsões e olé. Esse jogo, aliás, marcou o começo de várias mudanças na escalação do Grêmio. Entraram garotos da base e o time se recuperou bem. Eu mesmo, ainda pouco afeito à imortalidade tricolor, não acreditava que a gente fosse superar o todo-poderoso São Paulo, um dos times que mais cedia jogadores para a Seleção Brasileira do Telê Santana (aquela que deslumbraria o mundo no ano seguinte).

Mesmo assim, lá fui eu para o Olímpico. E o primeiro jogo da decisão foi um jogo do Grêmio como a gente bem conhece. Não lembro exatamente a ordem dos fatos, fazem 26 anos e eu usei muitas drogas na vida, mas levamos um gol, perdemos um pênalti e tudo parecia perdido no intervalo.

Aliás, foi ao final do primeiro tempo que Baltazar Maria de Moraes Júnior, o artilheiro de Deus, primeiro atleta de Cristo brasileiro (ou, pelo menos, o primeiro a passar o tempo todo falando no Cara), proferiu a célebre frase sobre o pênalti desperdiçado logo por ele, nosso goleador, "Deus deve estar reservando alguma coisa melhor pra mim". Guardem essa frase.

No segundo tempo, numa noite inspiradíssima de Paulo Izidoro, o Tiziu, viramos o jogo e passamos a ter a vantagem de jogar a decisão pelo empate.

Ah, para que eu, na melhor fase da minha infância, entedesse perfeitamente como é ser gremista, no final do jogo o Leão e o Serginho Chulapa se chocaram na área e o nosso goleiro machucou o supercílio. Virou dúvida para a decisão.E o reserva era o Remi (ou Remy, já disse que não sei, porra!), aquele mesmo que tinha encerrado a nossa participação no campeonato anterior levando 5 côcos do Timão. Era de se temer pelo pior.

Então chegou o domingo, 3 de maio, e íamos decidir o campeonato. TV na Globo e vamos para o jogo.

Foi um domingo engraçado, porque o pai trabalhou, meu vizinho da frente e camarada, o Paulinho, ficou na casa dele e eu assisti ao jogo com a mãe e uma tia, que na minha fantasia é a Ruth, minha saudosa e amada madrinha. Mas não tenho certeza se era ela mesmo. Estranho porque eu não tinha visto nenhum jogo do tricolor assim, sem ninguém, até aquele dia. Justo o dia da final.

O Grêmio era Leão, Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Izidoro e Wilson Tadei; Tarciso, Baltazar e Odair.

O São Paulo começou o jogo em cima da gente. E nós na defesa, porque se tinha uma coisa que os times do seu Ênio Andrade faziam bem era jogar na defesa. OS primeiros 45 minutos foram assim.

O segundo tempo não foi diferente. O Jurandir, um quase anão que não deixava o Falcão jogar em Gre-Nais, entrou no lugar do Wilson Tadei (afinal o espírito da coisa era segurar o empate). E o Renato Sá, que era o que poderíamos chamar de ponta-esquerda recuado, entrou no lugar do Odair. Na verdade, o Renato Sá era um meia que cumpria a função de ponteiro, voltando mais para ajudar o meio-campo a marcar.

Mas esse Renato Sá era pé-quente. Ajudou o Grêmio em várias partidas desse campeonato, e na final não foi diferente.

Na metade do segundo tempo, o Paulo Roberto tava com a bola na intermediária do bambi. Dali ele lançou na área. O Renato Sá vôou e escorou a bola de cabeça para o peito do Baltazar, na risca da área.

"Deus deve estar reservando alguma coisa melhor pra mim". Lembra disso?

Pois é. Estava mesmo.

Baltazar matou a bola no peito e bateu de sem-pulo. Bola no ângulo do Valdir Perez, que só fez um jeito. Baltazar comemorou com os dois braços erguidos. Deve ter essa foto no Memorial do Grêmio.

Depois o tempo passou. Numa dividida na nossa área, o Leão se atirou pra fazer um tempo. Serginho Chulapa chegou perto dele e... Pimba! Deu com o bico da chuteira na testa do nosso artista. Acabou expulso, suspenso por alguns meses e cortado de Seleção.

Aí foi só esperar pelo final.

O Tricolor foi campeão brasileiro pela primeira vez. Eu também.

No fim do jogo atravessei a rua correndo para a casa do Paulinho. A festa tava pegando lá também. Fomos para a esquina da Juca Batista, sacudir as camisetas e receber buzinadas de volta.

Uma experiência incomparavável. Uma das minhas últimas alegrias antes de mudar de Ipanema para a Tristeza e entender o porquê do nome. Mas isso é história para outro blog. Aqui o papo é Grêmio.

São coisas como essas, que eu vi e vivi várias vezes desde que sou gremista (conseqüentemente, desde que nasci), que me fazem ter fé em bons resultados contra o São Paulo a partir de quarta-feira, pela Libertadores.

Todos os resultados da campanha do Imortal Tricolor no Brasileirão de 1981 estão no site do Grêmio. Vale conferir. Lá a informação é careta, porém precisa.

Dá um bico:

http://www.gremio.net/page/view.aspx?i=camp_bra81cam&language=0

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Grêmio 2 x 1 Estudiantes - 1983

O Renato Gaúcho já era titular e o Tarciso, Flecha Negra, seu reserva. O Espinosa começava as partidas com o Caio ou o César no comando do ataque, mas quase sempre trocava pelo homem que sefreu na ponta do cotovelo do cretino-criminoso-safado Figueroa.

Era a segunda fase da Libertadores de 83, provavelmente a primeira partida. Saímos na frente mas os gringos empataram. E o jogo foi complicando.

Tarciso, que começou a carreira como centroavante e virou ponta graças ao genial Telê Santana, entrou no segundo tempo daquele jogo, quando a gente já estava bastante desesperado no estádio. Lá pelas tantas, em um cruzamento da esquerda para o meio da área, ele entra saltando e bate de primeira, de chapa, sem chance para o goleiro.

Grêmio 2 x 1! Loucura no Monumental!

Eu tenho o frame do Tarciso no ar, no exato instante em que ele acertou a bola, gravado pra sempre na minha memória.

Essa vitória foi fundamental para a nossa classificação. Houvesse um empate e nunca teríamos disputado a final daquele ano.

O Everton me lembra muito o Tarciso. Não é tão bom, claro, mas tem alguma coisa que me ativa a memória.

Tomara que nos dê tantas alegrias quanto o Flecha Negra.

União Barbarense 1 x 1 Grêmio

Quando o Sandro Goiano ajeitou a bola pra cobrança da falta que virou gol do Evérton, lembrei de uma das tardes mais pavorosas da Série B, em 2005. O jogo contra a União Barbarense, em Santa Bárbara do Oeste, São Paulo.

A falta foi mais ou menos no mesmo lugar e o nosso capitão bateu do mesmo jeito. Se não me engano, a cabeça salvadora naquela partida foi a do Pereirão.

Lembrei disso antes do Sandro levantar a bola na área ontem.

E já pensei numa solução mágica para jogos complicados, é claro...

sábado, 7 de abril de 2007

Meu sogro

O Tinga voltou para Porto Alegre antes de mim. Lembro que ainda estava em São Paulo quando soube que ele ia manchar seu currículo de vermelho.

Num fim de semana em Porto Alegre, comentei com meu sogro da minha tristeza com a volta do Paulo César para o Inter e ele não demonstrou nenhuma empolgação com o futebol do cara.

Acho que era despiste.

terça-feira, 27 de março de 2007

A Blitz do Tião

Tomando banho agora, enquanto espero pra comer uns pãezinhos e queijinhos presenteados pelas maravilhosas Dona Luiza e Dona Claudia, lembrei de um jogo de Libertadores. Um jogo bem bacana e que, obviamente, nem eu e nem o tricolor perdemos.

E mais: não sei de onde fiz uma relação com o jogão de daqui a pouco.

Grêmio 4 x 0 Nacional UR

Copa Libertadores da América - 1998 - Oitavas-de-final

O Grêmio tinha jogado as mãos para o céu quando, na semana anterior, empatara com o Nacional em pleno Estádio Centenário. Naquele tempo a Libertadores era mais séria: o Nacional não mandava jogos naquele campinho ridículo que eles usam pra ensacolar o nosso rival.

O tricolor era a cara do Cacalo. Uma palhaçada. Mas o meu amor pelo Imortal Tricolor estava, como sempre está e esteve, acima disso.

E mesmo com o jogo de volta sendo realizado à tarde, numa quarta-feira normal, dei um jeito de ir: troquei uma folga no meio do expediente por uma virada de noite trabalhando. Na verdade, troquei umas trinta e poucas horas de trabalho ininterruptas por duas horas de folga.

E quer saber? Valeu muito a pena.

Não lembro nossa escalação direito, mas tínhamos Danrlei, Roger, Aílton (aquele que fez o gol do título de 96), Ronaldinho e Tinga no time. Acho que o Super Zé (Alcino) também.

Foda era o treinador: Sebastião Lazaroni.

O fato é que o Tião adiantou a marcação e o Grêmio espremeu o Nacional no seu campo de defesa. E em 45 minutos consumou a fatura: 4 x 0. Naquele dia, se não me falha a memória, o Tinga detonou. Até gol fez.

Na coletiva depois da partida, o Tião botou a maior banca. Disse que tinha preparado o time pra fazer uma Blitzkrieg.

Um tempo depois, o Grêmio foi desclassificado pelo Brasil de Pelotas no Olímpico pelo Gauchão.

O Tião caiu, veio o Edinho e, mesmo assim, perdemos nas quartas-de-final para o Vasco (naquela época em que não podia ter final entre dois times do mesmo país).

O Edinho também não era grande coisa. Foi melhor como zagueiro.

Mas eu lembrei do ânimo do Grêmio aquele time. Da raça. E pensei que os caras que vestem o manto sagrado hoje são capazes de fazer o mesmo com o Tolima.

Esmagar e golear!

Dá-lhe, Grêmio!

sábado, 10 de março de 2007

Troféus tricolores


Mais um troféu da coleção.
Foto tirada do time campeão do torneio Alberto Galia, 1983. Bem no canto direito da foto dá pra ver um gordinho, de rosto vermelho e completamente suado. Sou eu.
Esse foi o ano que começou a frequencia da família Schmidt no Olímpico. Foi o ano que eu comecei a ter vontade de ir ao estádio.
Na verdade, a minha primeira lembrança do Grêmio é o gol do Baltazar em cima do São Paulo em 1981. Eu morava em Sampa, estudava no XII de Outubro e me lembro perfeitamente de debochar dos coleguinhas bambis. Infelizmente a aventura de morar em Sampa não deu muito certo e a família toda voltou de São Paulo. Nesse retorno os meus pais resolveram achar alguma coisa útil pra eu fazer e me matricularam na escolinha em 1982. Eu não fiz a escolinha naquele ano por que morria de medo de agulhas e tinha que fazer um exame de sangue. Só em 83 eu criei coragem e fui fazer o bendito exame.
Coincidência ou não, foi um ano de muitas glórias pro time sob a gestão do Fabio Koff. Ganhamos o mundial pelos pés do Renato (e eu tenho uma foto ao lado dele). Se bem me lembro, no final do ano foi feita a eleição e ganhou o Galia, que deu o nome do troféu de encerramento daquele ano na escolinha.
A respeito do meu passado dentro das quatro linhas dá pra dizer o seguinte: eu era um bom coringa. Nesse torneio joguei pela equipe 8 de lateral direito, zagueiro central, no gol (que em 84 foi a minha posição) e ponta esquerda. Só joguei na ponta esquerda porque no outro time tinha um lateral direito que apoiava pra caramba. A minha única missão era barrar o cara, daí o motivo do meu banho de suor.

terça-feira, 6 de março de 2007

O Olímpico é minha casa

O seu Tito me levou ao Olímpico pela primeira vez em 1975, quando eu tinha 4 anos. Ele tinha duas cadeiras perpétuas, que não eram perpétuas de verdade, uma vez que deixaram de ser ainda nos anos 80 – talvez fossem perpétuas por 25 anos.

Eu tinha quatro anos e o Olímpico nem tinha o anel superior, lá onde ficam as centrais e os camarotes hoje em dia.

Dá pra dizer que eu cresci no Olímpico e com ele.

Lá eu aprendi a gritar “É campeão!”, em 1977, sofri quando o Baltazar errou o pênalti na final de 81 e quase chorei quando viramos o jogo, quase chorei quando perdemos pro Flamengo em 82, perdi a voz de tanto gritar no título de 83, peguei pneumonia no Gauchão de 86. Também no Olímpico eu não consegui ingresso para a final da Copa do Brasil de 89, vi o Denner jogando com a tricolor em 93, acompanhei vários jogos da Copa do Brasil de 94, fui bi-campeão da Libertadores em 95, campeão Brasileiro em 96, vi o Ronaldinho começar a carreira dele e acabar com a do Dunga (isso foi em 99). Em 2005, quando voltei de um ano morando em São Paulo, fui direto para o Olímpico ver Grêmio x 15.

No Olímpico eu fui espantar a tristeza depois do enterro da minha amada mãe, a saudosa Dona Miroca, porque eu tinha certeza de que ela ficaria triste se eu perdesse um jogo importante por causa dela (Grêmio x Santo André, em 2005). Dez anos antes, sorri quando vi o lugar onde o corpo do meu pai ficaria no João XXIII. De frente para o estádio.

Eu estava no Olímpico no primeiro jogo da final do Gauchão do ano passado. E só não fui a um dos jogos do Brasileirão 2006 porque tive que trabalhar. E não perdi nenhum jogo em casa este.

O Olímpico faz parte da minha vida de verdade. De 32 anos dela, no mínimo, apesar de achar que eu o conhecia desde antes.

Mesmo assim, sou um apaixonado pela idéia da Arena, independente de onde for construída.

Hoje de manhã, meus olhos brilharam quando vi a maquete no jornal.

Uma força para o Sala de Redação

Rolou um embaralhamento histórico sobre a final do Mundial de 95 e da Libertadores de 84 no Sala de Redação de hoje.

Em 84, o goleiro não era Leão. Lembro que o Grêmio começou a temporada om o João Marcos, uma magrelo, mão-de-pau e de bigode que até jogou na Seleção na entre-safra de 83.

O problema do bicho-extra pelo título da Libertadores em 84, pelo que ouvi em entrevista do Sr. Túlio Macedo recentemente, foi uma interferência de última hora do então presidente, Alberto Galia, depois de tudo acertado entre os jogadores e o Depto. de Futebol à época. Desconcentrou os boleiros.

Já a expulsão do Rivarola na final de 95, tenho a impressão de que foi ainda no primeiro tempo. E o juiz expulsou pelo placar eletrônico mesmo, como se falou no programa. Só esqueceram que o juiz inclusive apitou falta para o Grêmio no lance.

Vou enviar um email com este post pro Professor e ver se descolo um comercial pro nosso blog.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Tolima x Cerro Portenho. Vou torcer pra dar empate.

Se não me engano, quarta-feira, dia 07 de março, completa-se a segunda rodada do nosso grupo da Libertadores. Tolima x Cerro Portenho bem que poderiam empatar pra nos deixar numa posição bem confortável na chave.

Aliás, quem quer ganhar Libertadores tem que jogar bem e torcer por maus resultados dos adversários nessa fase de grupos. Quanto melhor nos classificarmos entre os 16 (se nos classificarmos, é claro), maior será o número de adversários que jogará a segunda partida no Olímpico nos mata-matas.

Agora é bem mais fácil do que em 83. Os finalistas saíam de dois grupo de 3 times (nosso grupo tinha Grêmio, Estudiantes e América de Cáli) e a vitória valia 2 pontos. O jeito era torcer sempre contra s adversários.

Ganhamos as duas partidas em casa – ambos os jogos dificílimos. Perdemos fora para o América e tivemos que ceder o empate para o Estudiantes, em troca de nossos jogadores, comissão e dirigentes não serem mortos em La Plata.

Na última partida da chave, jogariam América de Cáli x Estudiantes. O América já estava morto e o Estudiantes se classificaria ganhando. Torci pelos colombianos desesperadamente e eles não nos deixaram na mão. Ganharam o jogo, uma mala cheia de dólares e uma bandeirona oficial do Grêmio como agradecimento. Mas tenho a nítida impressão de que não foi pela bandeirona que eles se esforçaram.